Chorando Callado

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Chorando Callado - Vol. 2 (1991)
Gravadora: FENAB
Produtor: José Silas Xavier

Músicos que participaram do disco:
Cincinato - Bandolim
Alencar - Violão 7 Cordas
Américo - Violão
Fernando Cesar - Violão
Chico de Assis - Cavaquinho
Jorginho do Pandeiro/Prato & Faca - Direção musical
Fernando Henrique Machado - Saxofone Tenor
Nivaldo Francisco de Souza - Flauta
Luiz Gonzaga Carneiro - Clarinete

Não deve ter sido muito fácil fazer o segundo volume de um dos maiores discos de choro de todos os tempos, o Chorando Callado, ainda mais sem Odette Ernest Dias, que encarnou como ninguém o título do disco original com seu sopro terno, introvertido, quase "callado". Mas este Volume 2 foi outro belo disco.

Trazendo surpresas agradáveis como Fernando Henrique Machado, ao saxofone tenor, com soberbas improvisações, a sonoridade do disco, entretanto, não foi tão boa como a do seu antecessor, onde o equilíbrio era perfeito, como nos melhores discos do estúdio utilizado, o Estúdio Eldorado. Sentimos neste a falta de volume do poderoso violão de Alencar do primeiro álbum, diluído em função da trinca de violões que privilegiou os arranjos caprichados para cordas dando menos destaque ao 7 cordas.

O repertório recuperava, mais uma vez, obras-primas de chorões históricos (nunca é demais lembrar que na época isto era quase uma raridade).

De quebra tivemos neste volume um destaque especial para choros de compositores mais recentes e menos visitados, como os de Avena de Castro e Cincinato Simões dos Santos.

O bandolinista Cincinato aparece aqui pela primeira vez em gravações; contava na época com mais de 70 anos. O álbum trazia outros grandes solistas, porém era ele quem chamava mais a atenção pelo fato de ter convivido com os maiores nomes do choro da primeira metade do século XX através de rodas de choro memoráveis, ao mesmo tempo em que era desconhecido de um público mais amplo. À primeira audiçõo do disco já se percebe a densidade de sua interpretação que pode ser simbolizada por uma das mais belas leituras de choro conhecidas, o Teu Sinal, de Cândido Pereira da Silva, o Candinho.

É certo que o extremo bom gosto do arranjo de Alencar 7 cordas (reparar no diálogo bandolim/violões da segunda parte) ajuda e muito, assim como o prato e faca deliciosamente inseridos na segunda e terceira parte por Jorginho do Pandeiro, porém, o maior mérito ainda é do solista, pois como poucos entende Candinho à perfeição. Talvez a maior dificuldade em interpretar um choro de Candinho não seja reproduzir suas características e intrincadas notas, mas saber onde está o melhor de sua excepcional veia melódica, em que frase por exemplo. Cincinato não deixa escapar nenhum desses momentos, trata com carinho exemplar cada lance genial do compositor.

Por essa e por outras, um disco imperdível.

Hélio Siqueira do Amaral, músico e blogueiro (www.blogdochoro2.zip.net)

Comentários

Idade do Cincinato quando gravou Chorando Callado II

Oi Hélio

Muito bom o seu texto e o resgate desse disco importante para o choro brasileiro.

No entanto, é bom fazer um reparo: se o Cicinato Simões dos Santos nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Saúde, em 21 de abril de1923, quando o álbum foi lançado, em 1991, o bandolinista contava ainda 68 anos e não "mais de 70" como está no texto.

Saudações musicais

Nelson Augusto - www.nelsons.com.br

Idade do Cincinato (correção)

Perfeito o reparo, Nelson, foi um erro primário de matemática de minha parte. Grato pela ajuda e pelos comentários.
Abraço,
Hélio

Indiscutivelmente imperdível!

Eu há muito possuo este disco que ganhei de um amigo de Brasília dentre vários que já me deu de presente e adoro! Acho um disco fantástico, com temas belíssimos e as interpretações do Cincinato são pérolas. Além do mais, o repertório além de belo é bem arranjado e tocado por grandes músicos e é um disco que contém mais de 20 músicas, o que é incrível!!!

Indiscutivelmente imperdível!

Abraço,
Rafael Ferrari
Porto Alegre/RS
Brasil

LP Chorando Callado 2

Rafael, se você soubesse o trabalho que tive para obter os discos da FENAB - era um tal de escrever pra Brasília, para pedir autorização (até com o Presidente da AABB eu falei). Mas valeu, como valeu!
Abraço,
Hélio

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