Choros de Sempre

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Déo Rian - Choros de Sempre (1974)
Gravadora: Coronado/EMI-Odeon - SC 10018

Músicos (na contracapa):
Dino - Violão de 7 cordas
Meira - Violão
Canhoto - Cavaquinho
Nelsinho - Arranjos

Relação complementada por Déo Rian através de e-mail:

O pianista é o Cristóvão Bastos, as flautas são Copinha, Jorginho (já falecidos) e Jaime Araújo, irmão do maestro Severino Araújo, o contrabaixista é Tião Marinho, o pandeiro Jorginho, o baterista Juquinha, os ritmistas Marçal e Luna (falecidos).

Lê-se na contracapa do LP, em texto de Sérgio Cabral:

Mas poucos, bem poucos, dos discos que virão por aí, poderão apresentar o choro como Déo Rian está apresentando agora. Graças às suas qualidades de intérprete e ao trabalho do maestro Nelsinho, o que se ouve aqui é o choro em todas as suas dimensões, com o amplo aproveitamento de suas qualidades musicais.

Antevendo a febre pelo choro que se aproximava em meados dos anos 70, Sérgio Cabral alertava para o que realmente ocorreria, ou seja, uma enxurrada de lançamentos com repertório repetitivo e interpretações pouco cuidadas, promovido pelas gravadoras, apenas para aproveitar a ocasião.

Déo Rian, ao contrário da onda, fazia valer cada minuto de que dispunha no LP, valorizando cada faixa em todos os sentidos possíveis, arranjos, músicos, repertório. Quanto ao último quesito, é de se notar sua preocupação em ser abrangente, em não se deter a uma época ou estilo do choro.

Se não, vejamos:

Pixinguinha e Jacob do Bandolim que não poderiam faltar;

Tem-se Garoto, um compositor moderno, em experiência pouco usual à época(*), a transcrição de um choro violonístico para bandolim;

Surge também a clássica Queixumes, de Avena de Castro, um compositor contemporâneo representado;

E, claro, a face de um dos maiores legados de Déo Rian, a recuperação de choros dos grandes mestres do passado, como uma composição de Candinho, que aqui aparece em sua primeira gravação da era moderna (Jacob do Bandolim que preservara seu acervo de composições jamais o gravou comercialmente), além de Nelson Alves, Mário Alves da Conceição, Ernesto Nazareth e Nola.

Momentos de plena emoção não faltam, mas não dá para deixar de ressaltar pelo menos dois. Primeiro o arranjo transcendente de Nelsinho para o Primas e Bordões (ao que se saiba Jacob do Bandolim nunca gravou esta sua própria maravilha). Depois o bandolim meigo e sublime de Déo Rian em Julieta, justificando a tese de que, como Bach, a obra de Nazareth oferece a rara oportunidade para transcrições sem perda do potencial da peça - às vezes até enfatizando-a em algum ponto mais terno, como nesta gravação (a esse respeito, vale comparar com as transcrições feitas a partir da obra pianística de Chopin – onde nada se acrescenta, pelo contrário, só há perdas).

Se há algum senão a ser citado, seria talvez o excesso de peso nos acompanhamentos de algumas faixas mais agitadas, mas nada que prejudique o resultado final deste grande disco.

Faixas do disco:

1. Mistura e manda (Nelson Alves)
2. Helena (Mário Alves da Conceição)
3. Lamento (Pixinguinha)
4. Vou vivendo (Pixinguinha)
5. Queixumes (Avena de Castro)
6. Julieta (Ernesto Nazareth)
7. Noites cariocas (Jacob do Bandolim)
8. Primas e bordões (Jacob do Bandolim)
9. Soluçando (Cândido Pereira da Silva)
10. Tristezas de um violão (Garoto)
11. Sentimento oculto (Nola)
12. Tatibitate (Jacob do Bandolim)

(*) Na verdade, os chorões que frequentavam a casa de Antonio D’Áuria nos anos 1960 tinham por hábito interpretar choros modernos e já faziam transcrições para bandolim dos choros de Garoto para violão (o próprio choro Tristezas de um Violão era parte de um projeto de gravação do Conjunto Atlântico antes mesmo da gravação de Déo Rian, porém acabou não vingando).

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